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OS MITOS DA GESTÃO DAS PESSOAS NAS ORGANIZAÇÕES - PLANO DE CARREIRA

Este artigo propõe uma reflexão: deve a empresa definir uma estratégia de carreira para seus colaboradores ou são eles os maestros de suas ambições?

A alta competitividade e os muitos anos de exploração das pessoas nos ambientes organizacionais desde o início da Era Industrial e, em não raros casos, nos dias atuais, pressionam as empresas preocupadas com Gestão de Clima e Responsabilidade Social a formatarem soluções equivocadas e, muitas vezes, impraticáveis no que se refere à Gestão do Capital Humano.

Um dos exemplos desta preocupação com o bem estar dos colaboradores é o proclamado Plano de Carreira. Embora o discurso defenda a carreira como uma ação de responsabilidade de cada indivíduo, muitas organizações o têm colocado como um projeto importante na sua longa lista de benefícios oferecidos e praticados.

Mas o que é um plano de carreira feito pela empresa? A que interesses atende? Que tipo de expectativa e de comportamento este “benefício” provoca nas pessoas?

Insisto que as empresas possuem um teto, um limite de crescimento na sua estrutura de cargos e também de salários. As pessoas, ao contrário, não. Sua capacidade de aprendizado, de crescimento, de evolução, não tem limite! E as pessoas estão, cada vez mais, fazendo cursos de especialização, ampliando seus conhecimentos técnicos e de gestão, aprendendo novos idiomas, participando de grupos de estudo, desenvolvendo habilidades inovadoras, experimentando novas formas de fazer e novos relacionamentos... Como pode uma organização, com seus contornos delimitados, absorver, dentre seus funcionários, todos aqueles que trilham o caminho do autodesenvolvimento com sucesso?

Promessas vãs, porque atendem apenas uma parcela pequena daqueles que demonstram capacidade e engajamento, entregando resultados acima dos acordados e superando desafios cada vez mais arrojados.

A frustração de uma grande parcela desta população provocará a deterioração do Clima, tão valorizado e almejado.

Continuam as organizações, através das suas lideranças e da área de Recursos Humanos, a fazer o papel de estimuladores das pessoas para que elas possam construir seus planos profissionais baseados em suas expectativas e desejos. A transferência e o compartilhamento de conhecimento, o esforço de coaching e mentoring são ferramentas poderosas de auxílio aos que desejam aprender sempre mais. Mas vale reforçar que são os indivíduos que devem assumir o controle deste barco e, confiantes na própria capacidade, decidir extrapolar os muros de sua área ou organização e realizar suas conquistas de forma independente e madura.


Catarina Guerra

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